terça-feira, 14 de agosto de 2018

Aos meus amigos



Faz muito tempo desde a última vez em que eu abri um documento em branco para escrever. E ao terminar esta primeira frase, agora, o cursor ficou piscando alguns segundos, enquanto eu pensava no que dizer para vocês. 

Sempre fui da opinião de que um texto, para ser escrito, precisa de um propósito. Em primeiro lugar, é necessário ter uma boa história a ser contada e depois analisar a melhor forma de contá-la. Abusar de metáforas e de todas as figuras de linguagem, voz passiva, frases de efeito e situações de impacto. Não obstante, também sou do tipo que busca descrever lugares e personagens detalhadamente, além de trabalhar com diversos sentidos. O leitor precisa sentir o cheiro e o gosto, precisa visualizar as cores, tocar os objetos descritos e ouvir os sons com nitidez ao passo em que as frases lidas vão compondo imagens na cabeça, tornando-se assim, um filme mental claro e eficiente. 

Imagino que eu tenha conseguido passar todas essas sensações com as minhas obras, além daquela cerejinha do bolo; despertar a curiosidade para que a leitura não fique monótona. Em cada capítulo, uma surpresa, ou duas, ou mais. Outro dia, uma leitora me contou que podia sentir as felpas marrons do tapete da sala do personagem, como se ela própria estivesse deitada nele. Recebi centenas de comentários do tipo. Pessoas dizendo que não conseguiam fazer mais nada enquanto não terminassem de ler um livro meu. 

Entretanto, escrever assim dá trabalho. Exige um tremendo esforço mental para decifrar mistérios, para costurar a trama de forma plausível. Exige pesquisa, um interminável estudo sobre o que quer que seja para jamais subjulgarmos a inteligência daquele que nos lê. 

Existe a busca constante por um desfecho nada menos do que surpreendente e depois de tudo, a lapidação do texto, a revisão, a análise crítica, a correção, o corte ou substituição de palavras repetidas numa mesma frase. A palavra “que”, o meu pesadelo persistente. Vocês não sabem como sofro para cortá-la. 

Há mais de dois anos eu tive coragem de escrever o meu último conto. Digo coragem, pois é preciso saber que ao iniciar uma obra, seja ela curta ou longa, nós escritores compreendemos o esforço dedicado, o afastamento de outras atividades, a reclusão total e o cansaço mental que a tarefa estabelece. 

Mas escrever está no sangue e mesmo diante dos percalços, mesmo que um escritor jure não querer mais passar por isso, ele vai acabar cedendo cedo ou tarde, seja por respeito aos leitores conquistados, ou por ele mesmo. 

Quero voltar aos poucos. E sinceramente não sei dizer se é porque vale a pena para mim, ou para vocês, que gostam das minhas composições. Isso, entretanto, não vem ao caso. Tenho uma nova história começada, mas não quero mexer nela ainda. Eu estou aqui, na verdade, escrevendo tudo isso para anunciar a republicação do Castelo Montessales de forma impressa. Texto no qual vou começar a trabalhar esta semana. A ideia é reformatar o livro e lançar de forma independente. A não ser, é claro, que alguma editora faça uma proposta que caiba no meu bolso. E o meu bolso está vazio, fato. 

Cheguei a duvidar da minha capacidade de atingir um público maior, visto que a maioria das pessoas procura por leituras suaves e não se sentem confortáveis com a sensação de tensão que as minhas histórias provocam. Porém, a minha ultima publicação, com tiragem de 1000 livros, foi esgotada. Parece pouco para escritores renomados, mas pra mim, uma mera desconhecida, este é um número bastante atraente. 

A desconhecida que não tem quase nenhuma crítica negativa. Digo quase nenhuma, por que não é possível agradar a todos, mas a bem da verdade, eu nunca vi uma sequer. A desconhecida que já foi chamada de Stephen King Brasileira. A desconhecida que recebe elogios sinceros daqueles que a leram. A desconhecida sou eu e nem sei se ainda tenho pretensões de estar sob os holofotes da fama. Isso acabou se tornando supérfluo. Claro que já tive este sonho um dia, mas durante os anos percebi que talvez não seja possível e passei a criar cabras ao invés de expectativas. 

Sem falsa modéstia, posso dizer que as minhas histórias ficaram boas, de verdade. Não que eu tenha talento, como falam por aí, mas porque me esforcei, me entreguei ao máximo, mergulhei na responsabilidade de produzir algo no mínimo bom. Tive ajuda de amigos escritores, de editores e revisores. Nada do que a gente produza pode ser perfeito sem a colaboração de um time e essa é a realidade. Somos humanos, falhamos, erramos, escrevemos coisas que às vezes nos parecem plausíveis, mas sob o olhar atento de outros, percebemos que sozinhos, temos mais possibilidades de passar vergonha com um texto. 

É preciso ter humildade para aceitar os erros e corrigi-los. É preciso estar de peito aberto para receber retornos negativos dos leitores, dar a cara a tapa, sair da zona de conforto e enfrentar o que estiver por vir. 

Agradeço a vocês, pela leitura deste meu desabafo. Peço um pouco de paciência. Aos poucos, tudo vai se encaixando e o que tiver que ser, será. Por enquanto, vou trabalhar no Castelo. Eu fico triste por ver todas as caixas de exemplares que tenho em minha casa, sem conseguir vendê-los e triste por um dia ter publicado com editoras que fizeram uma ou duas tiragens e depois me deixaram de lado. Eu mesma deixei isso de lado. Perdi meus arquivos quando a escrita deixou de ser prioridade.
Mas talvez, apenas talvez, valha a pena continuar por vocês.
Obrigada por tudo.

Paz e luz!

6 comentários:

  1. Vai no seu tempo, sem pressa. Respira, sinta o texto se recriar dentro de você. Cê é maravilhosa, muié. Estamos aqui, sempre. <3

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  2. Su (sua linda), sou sua fã e quando crescer quero escrever igual a ti. S2 Você é o máximo! Fico no aguardo até da sua lista de compras.

    Beijossss

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  3. Linda! Guerreira e Verdadeira é assim que defino você e entendo cada sensação que descreveu em seu texto.
    Tudo é um grande desafio e não fomos orientados a desistir.
    Estarei sempre aqui e torcendo por você.
    Beijão! e muito Rock!!!!

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    1. Não tenho palavras para agradecer, Rô! Conte sempre comigo tb <3

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